Do cartaz ao poema
Figura emblemática entre os poetas russos modernos mantêm uma objetividade e um qualidade invejável de fusão do que diz com o que pensa, mesmo parecendo antético, o dito, a saber: numa profusão quase metalingüística, quase metapoética, como numa tentativa de não dizer o referido. Vladimir Maiakovski se determina um revolucionário em meio a períodos ainda mais gélidos em sua União Soviética, fazendo nascer o amor e o vendo morrer sem lágrimas, destina-se conforme a batalha e a construir versos dedicados e elucidativos, segue firme até o derradeiro verso e ao derradeiro dilema.
“Quando velhos se
arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.”
Vai simples, constante e profundo no que vê, e somente o vê, pois sabe que é preciso e somente diz por não haver nada mais inquietante que a vontade de um passo além daquilo que vimos.
Cesz de Sousa.
Add comment 26/01/2010
Otmar Bauer – Vomit Action
A força forma o falso Da esfera se fere o alvo O corpo desvia o homem No laço viola o tempo Da carne perdiz estranho Valor que me valho casto Orvalho da bruta sede Tão dúbia serena e verde Da víscera constante vede. Gardo de Sousa
Add comment 07/10/2009
Kulturzeit – Günter Brus
Ecoam da sessão solene A surda e volátil mentira Retumbam dos peitos vorazes Dísticas letras de um alfabeto inferno Exaspera do sangue o ocre álacre da selva doce Agoniza a têmpora do sexo sem pulso Serpeia aos buracos molestos o prazer E plana o arroubo pousando no corpo Longe dos olhos morais vacila o torpor.
Gardo de Sousa
Add comment 07/10/2009
Danse Serpentine – Lumiere Brothers Danse Serpentine 1896
Há um cromo Uma perplexa sede pelo movimento leviano O traço da cor no corpo sem palavra Envolta de uma leveza sem rumo Revolvendo o intenso silêncio do tempo E as ações superpõem-se no matiz A descrição do inútil e do vivo Se estabelece na curva tola do grado E raios secretos depõem o instante inevitável Aquele tom que foge aos olhos antes da piscadela.
Gardo de Sousa
Add comment 07/10/2009


